O simbolismo dos 100 mil pontos na Bolsa de Valores

Por on 25 de março de 2019

No dia 18 de março as 14h44 a IBOVESPA, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo atingiu o simbólico 100 mil pontos. Esta pontuação representa a evolução numérica do índice que teve base 100 em 1968. Assim quando dizemos que a Bolsa sobe estamos nos referindo à elevação deste índice. Cada dia que o índice é maior, indicativo que a Bolsa vem subindo e as ações, na média, estão se valorizando.

Com altas e baixas a Bolsa o índice oscilará para cima e para baixo, rodeando esta pontuação. Afinal qual o simbolismo dos 100 mil pontos? Na prática o IBOVESPA já operou acima desta pontuação. Não ocorreu a pontuação em si, mas o pico deste índice se deu em 20 de maio de 2008 com a pontuação de 73.516 em termos nominais que, corrigida para hoje pelo índice oficial de inflação, o IPCA, atingiremos mais de 135.497 pontos.

Mesmo assim chegar a marca de 100 mil pontos e projetar atingir 125 mil ainda este ano, como indicam alguns analistas do mercado acionário, é demonstração de confiança.

As ações são parte do capital de empresas. Empresas públicas e privadas abrem seu capital visando captação primária de recursos junto ao mercado investidor. O mercado secundário de ações permite a compra e venda de papéis entre investidores. Se há demanda crescente por ações o que isso significa? Primeiramente que estes investidores e até especuladores confiam na economia brasileira. Este primeiro olhar vai na direção da distribuição futura de dividendos (receber parte dos lucros das empresas) e na criação de valor das empresas.

Por trás da confiança de que as empresas serão capazes de gerar lucro e aumentarem seu valor no mercado, vem à confiança na melhoria do ambiente de negócios. Investidores desconfiados de que o País não conseguirá deslanchar economicamente não querem renda variável, como é o caso das ações. Outro fator importante é a queda dos juros básicos. O apetite pela renda fixa, aplicações conservadoras, diminui, sendo que a renda variável se apresenta como alternativa para ganhos maiores.

Vale destacar que um mercado acionário forte, dinâmico, confiável, é sinônimo de que as coisas estão indo bem. Quando este mercado começa a buscar maior pontuação é indicativo claro que a projeção de retorno é real.

É fato que ainda falta muita coisa para o Brasil efetivamente voltar a crescer de maneira sustentada. Os próprios operadores do mercado estão, semana a semana, via boletim Focus (elaborado pelo Banco Central a partir da sondagem dos principais operadores do mercado) revendo o crescimento econômico para este ano para baixo, rodeando atualmente os 2% em vez dos 2,5% do início do ano, contudo, há uma sinalização positiva na economia.

Estamos no que podemos denominar de lusco fusco (momento da transição entre o dia e a noite). De um lado expectativa positiva, com um diagnóstico correto feito pela atual equipe econômica apontando as causas e indicando as correções para os graves problemas econômicos do Brasil, e de outro lado, muita negociação para que efetivamente as coisas saiam do papel.

Enquanto isso os chamados termômetros do mercado oscilarão para cima, quando derem voto de confiança nos projetos econômicos do governo Bolsonaro, ou para baixo quando as dúvidas de aplicabilidade de tais projetos prevalecerem. Os mercados acionário e cambial trarão estes indicativos.

Independentemente das dúvidas existentes o fato de o IBOVESPA ter atingido os 100 mil pontos é uma clara demonstração de que podemos ainda acreditar em dias melhores.

Há muito a fazer, mas há uma esperança no ar. Agarremo-nos a ela.


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