ONU 75 anos – Reinvenção Urgente

Escrito por em 23/09/2020

A abertura da 75a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas realizada na terça-feira, 22 de Setembro, reforçou sentimentos da comunidade internacional a respeito do momento delicado que vive a ONU. Ignorada, desrespeitada e por que não dizer, usada em muitos momentos, a entidade que nasceu das cinzas do pós-guerra parece insistir em viver ainda naquela mesma geopolítica, onde apenas alguns países são donatários máximos e aplicam as decisões que bem entendem ao resto do mundo. Capítulo à parte na reunião das autoridades internacionais, os discursos estão cada vez menos preocupados com a harmonia global, com o desenvolvimento e a salvaguarda de todos os seus membros. Foi assim com as três primeiras manifestações de ontem. Bolsonaro, Trump e Xi Jimping utilizaram seus espaços com textos direcionados em sua maior parte ao público interno de seus países. Escolheram “inimigos internos e externos” para justificarem decisões que tomaram em relação à Pandemia do Coronavírus e às questões ambientais. Atacaram e se defenderam, cada um de acordo com o que esperava ouvir sua clientela. Tragédias humanitárias representadas pela fome e a miséria em dezenas de países-membros foram ignoradas na abertura. Em outros aspectos de representatividade, a primeira mulher a se manifestar será a 52a chefe de estado, algo que chama a atenção num mundo onde muitas mulheres têm sido extremamente eficientes na direção de seus povos. Falar depois de uma lista de 51 homens passa a impressão de que estamos num grande Clube do Bolinha. Se entrarmos na discussão sobre a formação do Conselho de Segurança da entidade, veremos ainda mais aberrações. 75 anos depois de sua criação, a ONU ainda acredita que é possível ser catalisadora dos anseios do planeta, capitaneada apenas pelos países mais ricos ou belicamente poderosos. Os questionamentos que vem sendo feitos aos organismos representativos como a OMS, na condução da Pandemia Mundial, também são indicativos da necessidade de reinvenção da ONU. Ou a entidade reconhece suas limitações na atual configuração mundial, ou está fadada e ser usada como palanque por seus membros mais poderosos em causas particulares. Oremos.


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