Operação João de Barro – Denúncia vai ficar para 2021

Escrito por em 10/12/2020

Em 17 dezessete de dezembro do ano passado, o Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo, o Gaeco, realizava uma operação que cairia como uma bomba na administração municipal e na política como um todo em Bauru. Batizada como Operação João de Barro, a investigação adentrava aos meandros da Companhia de Habitação Popular de Bauru, a Cohab e retirava de lá o seu presidente, Edson Gasparini Júnior depois de mais de uma década no cargo, passando por três prefeitos e quatro administrações diferentes. O mote inicial da investigação eram os contratos com empreiteiras e acordos de pagamentos estranhos, que já haviam chamado a atenção do legislativo e denúncias de sócios de empresas beneficiadas. Com acesso a documentos e depoimentos de funcionários da companhia, os investigadores descobriram que havia algo muito além de problemas nos acordos com as empreiteiras. Eles estariam diante de um esquema que estava lesando os cofres da Cohab em mais de 56 milhões de reais em saques de valores na boca do caixa e não repassados do seguro pago pelos mutuários. Faltando uma semana para completar um ano da operação, o Ministério Público afirma ter aprofundado seus trabalhos, recebido novas provas e determinado mais diligências e cruzamento de dados. Apesar de uma certa preocupação em relação ao tempo, os investigadores acreditam que é ainda mais relevante a qualidade do que está sendo feito. O oferecimento da denúncia deve ser feito apenas em 2021. Informações recentes em desdobramentos das investigações foram consideradas muito valiosas. Assim, o fato de demorar um pouco mais para oferecer a denúncia, seria menos relevante. A principal meta dos promotores e apresentar à justiça um conjunto probatório muito bem embasado, onde não haja nenhuma dúvida sobre o trabalho e as conclusões apontadas. Apesar de ter provocado uma outra balbúrdia no setor político da cidade e uma Comissão Processante na Câmara Municipal, os apontamentos de viagens pagas pelo ex presidente da Cohab para vereadores não são vistos como relevantes para as investigações do Gaeco, pelo menos por enquanto. Tanto que os autos foram enviados para a Promotoria do Patrimônio Público para análise. Assim como a casa construída pelo personagem que dá nome à operação, o Gaeco quer edificar um processo que possa resistir aos vendavais e intempéries pós-denúncia. Que possam ter fundações sólidas nessa construção. Oremos.


Opnião dos Leitores

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *



[Nenhuma estação de rádio na Base de dados]