Os exorbitantes juros de 300% ao ano

Por on 2 de agosto de 2018

Se alguém quer identificar se o País tem economia sólida verifique seus indicadores econômicos e financeiros.
No Brasil há forte preocupação, por exemplo, com o indicador que demonstra a relação da dívida pública com o Produto Interno Bruto, que está situado na casa dos 75%. Sem controle nos gastos e com a economia patinando a projeção desta relação para os próximos 10 anos não é nada animadora.

Manter a inflação em níveis baixos, criar condições da retomada do crescimento e com ela gerar empregos, distribuindo a renda de maneira justa, são outros importantes desafios.

No tocante a inflação desde a implantação do Plano Real o País conseguiu domá-la. Por vezes desgarra, como o ocorrido no governo de Dilma Rousseff quando passou dos 10% ao ano, mas em momento algum tivemos a ameaça da volta aos patamares dos anos de 1980 e início dos anos 1990, quando a inflação era de mais de 1% ao dia. Isso mesmo, ao dia.

Com inflação baixa seria previsível juros baixos. Isso efetivamente ocorre com a taxa básica de juros que está em 6,5% ao ano. Observem a convergência: inflação anualizada girando em torno de 4% ao ano e juros básicos em 6,5% ao ano. Pois bem, e na outra ponta o que se observa? Juros exorbitantes.

Se tomarmos como exemplo a taxa de juros a pessoa física não há um cidadão que possa aceitar o patamar atingido: 300% ao ano no cheque especial.

Tudo bem que tomei como exemplo uma das mais caras modalidades (perde somente para os juros do cartão de crédito, na média em 330% ao ano), mas mesmo em outras modalidades de crédito as taxas praticadas são de País de quinta categoria. O empréstimo pessoal varia entre 70% e 80% ao ano. O crédito consignado, que tem a garantia do desconto da parcela em folha de salário, gira em torno de 35% a 40% ao ano.

Não se faz necessário tabelar os juros no Brasil, por sinal, seria um retrocesso, mas passou da hora de o Banco Central entrar fundo nos itens que formam os juros na ponta, permitindo revisão ponto a ponto, para que finalmente o Brasil, ao menos neste quesito, poder afirmar: inflação controlada, juros básicos baixos, juros para o tomador de dinheiro descentes.

Enquanto não ajustarmos as contas públicas e tivermos que conviver com juros fora de qualquer realidade, sem dúvida alguma o diagnóstico de nossa economia é está muito distante de ser sólida.

Imagem ilustrativa./ Foto: Reprodução/ Brasil Price

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