Poderes harmônicos e independentes

Por on 30 de maio de 2019

A Constituição Federal do Brasil, assegurando em nível de cláusula pétrea, e visando evitar, principalmente que um dos Poderes constituídos invada as funções do outro, consolidou a separação dos mesmos. Desta maneira os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário são independentes entre si, porém, devem conviver em harmonia.

Isso posto, fica evidente que imaginar que o Brasil avançará em seu projeto de reforma, cuja iniciativa foi do Poder Executivo, sem a participação efetiva dos demais Poderes e neste particular o Legislativo, é não praticar a democracia.

O Presidente da República, Jair Bolsonaro, que teve sua carreira política originária no Legislativo é conhecedor da real necessidade em dialogar com os demais Poderes.

Sua estratégia pode até ser beligerante e de comunicação direta com a população, mas não avançará com seus projetos de reforma do Estado se não souber articular com os atores envolvidos no processo.

Que fique claro que isso não tem nada a ver com o toma lá da cá. Articular é ser proativo, é estar disponível, é dialogar, enfim, é ser estrategista. O Executivo como um todo, e o Presidente em particular, não deve fomentar o rótulo da nova e velha política. Estamos na verdade falando de boa ou má política.

Esses anos de descomandos, de corrupção correndo solta, de modelo de governo que levou o País ao caos social, têm que servir de aprendizado.

Os movimentos populares estão validando esta boa política, mas isso não pode ser argumento para o enfrentamento.
A recente reunião entre os comandantes dos Poderes constituídos é um bom primeiro passo, mas Bolsonaro tem ir além. Precisa não somente indicar a necessidade das reformas estruturais e entre eles a mais urgente à reforma da previdência, e sim trabalhar diuturnamente por ela.

Isso é imperativo não para que a popularidade do governo cresça, ou para que seja massageado o ego do político, mas sim porque os indicadores sociais estão se deteriorando. Se não bastassem os mais de 13 milhões de desempregados, temos outros quase 5 milhões de desalentados e mais de 28 milhões subutilizados. Isso gerou um batalhão de pessoas que vivem de maneira precária.

É preciso colocar em prática o que muitas pessoas fazem com suas carreiras e até mesmo organizam suas organizações: usar o cérebro para o estratégico, o pulmão para o tático e os pés para o operacional. Inverter esta lógica e não atingir os resultados operados.

Os erros iniciais do governo Bolsonaro demonstraram muito mais ser uma gestão de bombeiros, que tem que apagar um foto por dia, do que gestão estratégica.

Se os Poderes constituídos devem ser harmônicos e independentes, o confronto só irá interessar aqueles que apostam no “quanto pior melhor”, estes que estão interessados somente seus projetos pessoais de poder.

A nossa história recente já apontou no que dá um projeto permanente de poder. As prisões estão cheias destes políticos que se renderam a ele.

Não temos mais tempo a perder. Estratégia, diálogo, articulação e principalmente respeito às Instituições não somente garantem governabilidade, como garantem avanços nas reformas estruturais. É praticar a democracia em sua plenitude.

Foto: Reprodução/ Internet


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