Por que a previsão de crescimento econômico caiu?

Por on 10 de julho de 2018

Na virada de 2017 para 2018 as projeções de crescimento econômico para o Brasil apontavam para algo próximo a 3% para este ano. Isso equivale a crescer, nominalmente, ou seja, considerando a inflação, algo entre 6% e 7%.
Isso se justificava em função do fim da recessão observada em 2017. Depois de dois anos com crescimento negativo, finalmente o País voltou ao campo positivo, com crescimento de 1%.

Inflação controlada e nada no horizonte que indicasse pressão sobre os preços, juros em queda, retomada da confiança dos agentes econômicos, bom desempenho no setor externo, eram motivos mais que suficientes para que, mesmo em ano eleitoral, o Brasil votasse a apresentar bons números em sua economia.
Desde o início do ano as projeções para o crescimento brasileiro vêm sendo revistas, para baixo. Afinal, por que a previsão caiu?

A explicação tem um misto de componentes técnicos e políticos. Vamos por partes. Na visão técnica, as projeções se alicerçavam no crescimento do consumo e saldo positivo do comércio exterior.

Do lado do consumo a queda na taxa de juros e o indicativo de que o mercado de trabalho tinha parado de piorar, apontavam para um consumidor mais confiante, por sinal, isso foi retratado nas pesquisas de inicio de ano, contudo, com o passar do tempo, a falta de apetite do setor financeiro, fez com que o rebaixamento dos juros básicos não chegasse aos juros da ponta. Poucos setores tiveram este comportamento, como foi o caso do setor automotivo. Os juros para as empresas ainda continuaram salgados, e com capacidade ociosa, o emprego na foi gerado, a renda não aumentou. Isso gerou decepção, retratada na queda da confiança dos agentes econômicos.

Devemos ainda considerar que já era esperado um primeiro trimestre de 2018 com crescimento ainda baixo em função dos gastos previsíveis de inicio de ano por parte dos consumidores, contudo, não se imaginava que seria tão baixo. Isso tudo potencializado pela paralisação dos caminhoneiros que forçou a redução da produção no mês de maio, que será refletida nos indicadores econômicos futuros.
O setor externo também foi abalado. As decisões dos Estados Unidos em sobretaxar as importações de vários produtos, somadas a questões geopolíticas (fim do acordo nuclear dos Estados Unidos com o Irã, por exemplo) e a guerra comercial entre Estados Unidos e China, deram o pano de fundo para que o setor externo brasileiro não entregasse os números anteriormente projetados.

Para colocar mais lenha na fogueira a economia americana vem apresentando excelentes resultados, operando em pleno de emprego, tendo colocado em prática uma reforma tributária que injetou mais recursos na economia, indicando pressão sobre o consumo, sinônima de alta na inflação, forçando a elevação da taxa de juros naquele País.
Isso mexeu e mexe com o capital que circula no mundo todo. O dólar se valorizou frente às principais moedas do mundo.

Além dos aspectos técnicos, tanto internos como externos, há um agravante no caso brasileiro: o cenário político. De um lado uma paralisia do governo Temer, que literalmente jogou a toalha no tocante a agir na direção das mudanças estruturais. Por exemplo, a reforma previdenciária, expectativa de ao menos ser implementada em parte, foi deixada de lado. Isso se deu em função de mais denúncias envolvendo o presidente Temer, que percebeu que não teria respaldo do Congresso Nacional para caminhar na direção destas reformas. Também deve ser considerado o verdadeiro salve-se quem puder para os políticos, que precisam se reeleger. Não votariam questões consideradas impopulares.
A saída do Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, sem completar o projeto de recuperação econômica do País retrata bem este fim de feira do governo Federal.

Se isso tudo não bastasse os candidatos que lideram as pesquisas para sucessão presidencial brasileira não passam aos agentes econômicos segurança alguma no tocante a levar em frente às reformas estruturais que sustentem o crescimento de longo prazo.

Resumo da ópera: projeção de crescimento caiu de 3%, para 2,75%, chegou a 2,5% e agora atingiu o patamar de 1,76%. Se for confirmado, crescimento pífio, muito aquém das reais necessidades do País.

Sem dúvida todos nós que operamos no mercado brasileiro teremos que refazer nossas projeções, para baixo, e redobrarmos a atenção sobre os planos de governo, notadamente no tocante ao modelo econômico dos postulantes ao cargo de Presidente do Brasil.

Se as projeções não são otimistas, a sabedoria indica que sejamos estrategistas, agindo na direção de neutralizar suas consequências.

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