Por que as pessoas não acreditam nos índices de inflação?

Escrito por em 12 de abril de 2018

A inflação oficial brasileira medida pelo IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo ficou em 0,09% no mês de março, acumulando neste ano 0,70% e em doze meses 2,68%. O acumulado anual está abaixo do piso fixado pelo Banco Central que é de 3% ao ano.

Não obstante os índices de inflação estarem controlados por que as pessoas não acreditam nestes índices? Por vários motivos, sendo o principal o desconhecimento da metodologia de cálculo da inflação.

Vamos aos fatos. Exemplificando: uma família se dirige ao supermercado e compra frutas. Sua constatação é que pagou pelas frutas mais do que desembolsou no mês anterior. A resposta técnica é: isso é verdade. Mas como? É que as frutas tiveram isoladamente alta média de 5,32% no mês de março se comparado a fevereiro. Se esta mesma família comprou carne, tomate e frango inteiro percebeu que os preços em março ficaram mais baratos. Se não compraram estes itens, terão a sensação que todos os preços subiram.

Então por que a inflação é só de 0,09%? Porque a inflação é uma média ponderada, de preços. Na prática a inflação é dividida em grupos e cada um tem seu peso no cômputo geral dos preços. Em março o comportamento dos grupos foi o seguinte: alimentação e bebidas alta de 0,07% (este grupo tem maior peso); gastos com habitação subiram em média 0,19%; artigos de residência +0,08%; vestuário apresentou alta de 0,33%; os itens de transportes apresentaram queda média de preços de 0,25%; já as despesas pessoais subiram 0,05%; educação observou alta de 0,28%; comunicação apresentou queda média de 0,33%. Quando todos estes grupos são ponderados por seus pesos nos gastos das famílias, o resultado médio é de alta de 0,09% o que resultou no menor patamar trimestral da série histórica do IPCA.

Outro aspecto a ser considerado é que os preços de março deste foram comparados com os preços de fevereiro deste ano, portanto, os preços não voltam, ou seja, uma vez que apresentou em um mês, no outro mês o preço ficou estável, não há impacto no índice geral.

Aos que não acreditam nos índices de inflação vale esclarecer que a metodologia adotada pelo IBGE é confiável e auditada. Além disso, outros Institutos, como a FIPE e a Fundação Getúlio Vargas apuram outros índices de preços e todos convergem para o mesmo resultado.

O fenômeno é fácil de entender: dependendo dos gastos mais intensos das famílias o impacto dos preços é mais ou menos sentido. Quem consome mais produtos que tiveram alta, sentirá mais, o contrário é verdadeiro.

Então o que esta estabilidade de preços pode impactar em nossas vidas? Primeiro impacto é que o poder de compra das famílias, na média, é mantido, portanto, a inflação não irá corroer a renda das pessoas. O outro aspecto é que o Banco Central pode promover novas reduções nas taxas de juros, pois a prioridade passa a ser criar condições para que a economia volte a crescer. Juros menores podem estimular o consumo e movimentar a economia.

Resumindo: cada família terá sua própria inflação, maior ou menor, dependendo do perfil de consumo. O índice oficial é confiável e reflete a média de preços da economia.

Conhecendo as metodologias podemos entender melhor o comportamento das variáveis econômicas.

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