Que chegue novembro

Por on 13 de setembro de 2018

Estranhou o título deste artigo? Mas é o que todos que operam o lado real da economia, este que gera emprego e renda, aguardam: que o mês de novembro chegue e com ele a sinalização do que poderemos esperar para o Brasil e em particular o que esperar para a economia brasileira para os próximos anos.

Este cenário leva em conta o processo eleitoral brasileiro e as recentes pesquisas que apontam que a sucessão presidencial será decidida em segundo turno, portanto, ao final do mês de outubro.

O que vem ocorrendo é que os operadores do lado monetário estão influenciando os que operam o lado real. A precificação das incertezas está refletindo na forte volatilidade notadamente na Bolsa de Valores e no mercado cambial. Estas oscilações elevadas estão levando os agentes econômicos a manterem a cautela, retardando entre outras coisas a retomada mais vigorosa do crescimento econômico.

Assim, até o fim do processo eleitoral conviveremos com notícias e leituras das mais variadas e será preciso exercitar a capacidade de abstração para que saibamos separar os especuladores de plantão, que apostam no quanto pior melhor, dos que fazem uma leitura imparcial do momento político e econômico do Brasil.

E quando chegar novembro? O cenário ficará mais nítido. Sem a disputa eleitoral, portanto, sem polarização, seja lá quem for o eleito terá que dizer ao País a que veio.

O déficit nas contas públicas é real. A relação dívida público com o Produto Interno Bruto é crescente e pode ser explosiva. O desemprego, o subemprego, a informalidade e o desalento são desafios dos mais importantes e o modelo econômico brasileiro não pode apresentar fragilidades. Não há espaço para amadores e tampouco de enfrentamento superficial dos graves problemas brasileiros.

Se o eleito não indicar quais caminhos trilhará na direção do crescimento sustentado, o cenário futuro será de mais incertezas. E o que nos motiva a imaginar que dias melhores virão? O choque de realidade. Por isso colocamos que independerá do eleito. Se este eleito tiver o mínimo de compromisso com o cidadão brasileiro, não repetirá a desastrosa condução econômica dos últimos anos que nos levou a dois anos de recessão e com um preço elevadíssimo pago pelo grosso da população, notadamente os mais pobres.

Isso somente não será praticado se houver um estelionato eleitoral e até o não cumprimento da Constituição brasileira que preconiza o sistema capitalista como norteador da economia.

Estamos passando por um período desafiador, em que as Instituições constituídas precisam funcionar em sua plenitude, sendo guardiães da ordem, sem se deixar levar pela polarização extremada que alguns grupos políticos querem impor ao País.

De qualquer maneira fiquemos com o que de melhor temos: a prática plena da democracia.

Que venha logo novembro, mas que sejamos inteligentes o suficiente para até lá não deixarmos contaminar pelo pessimismo.

Crédito: Rawpixel.com / Freepik


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