Queda nos juros depende do ajuste fiscal

Por on 27 de junho de 2019

Em sua última reunião o Banco Central brasileiro através do Comitê de Política Monetária (COPOM), optou por manter a taxa básica de juros em 6,5% ao ano. Agora foi divulgada a ata dessa reunião e a Autoridade Monetária deixou claro que eventual redução nesta taxa básica somente ocorrerá após ter a certeza que a inflação efetivamente está controlada e para tanto se faz necessário colocar em prática o ajuste fiscal.

Na prática estamos falando da convergência de dois instrumentos de política macroeconômica: a política fiscal e a política monetária.

A política fiscal aponta para a busca na redução do déficit público. O Brasil nos últimos anos passou a operar com resultado primário negativo (receita tributária menos gasto público sem considerar os juros da dívida pública) e isso eleva o endividamento público, bem como, limita a capacidade de o setor público investir na economia. Com a relação dívida pública bruta versus Produto Interno Bruto na casa de 80%, fica evidente que se algo não for feito na direção do ajuste fiscal a desconfiança de que o Brasil se tornará insolvente aumenta.

A reforma da previdência social é um primeiro passo na direção de redução do déficit público e com ela o não agravamento da dívida pública.

A política monetária poderia ser aplicada, principalmente no tocante a redução da taxa de juros, posto que o Brasil apurou queda no Produto Interno Bruto no primeiro trimestre deste ano e indicadores mais recentes, admitidos pelo próprio Banco Central, apontam para crescimento zero no segundo trimestre. Sem crescimento econômico praticar taxa de juro menor permitiria o aumento no consumo das famílias, auxiliando na retomada do crescimento econômico.

Neste ponto vem à cautela do Banco Central. De um lado precisa oferecer a ração exigida pelo mercado, ou seja, se precisa ser financiado pela emissão de títulos públicos, juros maiores são estimulantes aos investidores. Por outro lado há o receio de, por qualquer motivo a reforma da previdência não saia como o esperado, não trazendo a economia necessária para virarmos esta página, poderá ocorrer desconfiança interna, elevação da cotação do dólar e eventual
desarranjo na economia, refletindo inclusive no controle de preços.

Observem que é mais um componente que se vincula ao ajuste fiscal. Isso reforça o diagnóstico de que a base dos problemas econômicos do País é mesmo o desequilíbrio fiscal.

Por este quadro não deve existir pauta mais importante do que focar nas reformas estruturantes para que a roda da economia volte a girar.

Quem sabe isso sirva de alerta para que o executivo federal evite focar mudanças em temas polêmicos, que dependem de apreciação do Congresso Nacional, permitindo desta maneira que toda energia dos atores envolvidos, seja canalizada para a essência dos nossos problemas econômicos.

Por ora fica o apontamento: juros menores somente se houver o necessário ajuste fiscal.

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