Será que agora vai?

Por on 25 de abril de 2019

Depois de muita negociação a PEC – Proposta de Emenda Constitucional da reforma da previdência social, foi admitida pela Comissão de Constituição Justiça (CCJ). Imaginava-se uma tramitação mais fácil e rápida, mas a base aliada do governo Bolsonaro, desunida, desarticulada e até inexperiente com o trato das questões regimentais do congresso, não fez a coisa andar. Algo incomum ocorreu nesta fase, que é retirar pontos do projeto, mas nada que compromete a essência da proposta da equipe econômica do governo Federal.

A pergunta agora é: será que a agora vai? Evidentemente que a complexidade da reforma da previdência não permite apontar que será aprovada como concebida e tampouco se não irá, como muitos estão indicando, se “desidratar” ao longo da negociação, mas os agentes econômicos têm pressa.

Estamos finalizando o quarto mês do mandato do Presidente Bolsonaro e não tivemos nada contundente que indicasse a mudança de rumo da economia. A precificação desta morosidade já foi feita: crescimento econômico que era projetado acima de 2,5% para este ano, atualmente está abaixo de 2%.

Empresários e trabalhadores esperam que a roda economia volte girar. A impressão que se tem, no mundo prático, é que há um cofre cheio de dinheiro próximo de nós, mas ninguém consegue abri-lo. Gera frustração.

Se analisarmos os vetores que podem levar o País ao crescimento econômico, observamos pouca mudança no cenário econômico. O consumo das famílias não deslancha, pois estas precisam de renda e crédito. Como o emprego não voltou e os juros ainda continuam elevados nas modalidades de empréstimos, a retomada da economia por este caminho não vem.

Por outro lado o crescimento poderia ser impulsionado pelos Investimentos. Aqui há recursos externos abundantes, mas com elevados riscos fiscal e político, sem segurança jurídica, este dinheiro não é aportado no Brasil.
O investidor interno, mesmo sem muito caixa, precisa também de uma sinalização de que o crescimento econômico se sustentará ao do tempo, coisa que ainda não ocorreu.

O setor externo poderia ser uma vertente de crescimento, mas o governo de Bolsonaro não disse claramente o que pretende no comércio exterior. Isso sem considerar as guerras comerciais entre Estados Unidos com a China e agora com a Europa. Até mesmo o Fundo Monetário Internacional projeta menor crescimento internacional. Vale ainda destacar que nossos vizinhos da América do Sul estão com suas economias debilitadas, notadamente a Argentina.

Os gastos do governo precisam ser contidos e gastando mais do que arrecada, não há excedentes para investimentos.
É evidente que não devemos jogar todas as fichas na reforma da previdência, mas sem dúvida se esta tiver um bom encaminhamento, abre espaço para as demais reformas, principalmente a tributária e com isso teremos a retomada da confiança dos agentes econômicos.

Voltando a questão da reforma previdenciária é salutar que ocorram as discussões e que pontos que prejudicam os mais pobres sejam retirados, mas o que os congressistas precisam estar atentos é como timing. O Brasil tem pressa, a sociedade tem pressa.

É preciso isolar a meia dúzia de políticos que se importa mais com o poder do que com o povo (apesar de afirmarem que o defende), os que querem o “quanto pior melhor”, e negociar, negociar e negociar com os demais políticos. Não é preciso praticar a política ruim, mas é preciso abrir espaço ao diálogo.

E aí, agora vai? Se a base aliada não se entender, não rever sua liderança, não praticar sua capacidade de articulação e negociação, e se não for capaz de segurar o fogo amigo, a leitura é que a coisa vai, mas não na velocidade desejada. Se isso acorrer, todos perderemos.

É preciso aprender com os erros!

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