Sindicato faz análise do que está por trás da alta dos preços nos supermercados

Escrito por em 09/09/2020

A cada ida ao supermercado, o consumidor bauruense leva um susto com os preços, principalmente dos produtos de primeira necessidade, como arroz, feijão, óleo e carne. E essa situação se reflete em todo o país. As associações que representam o setor, a APAS (Associação Paulista de Supermercados) e a ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados), emitiram nota afirmando que os supermercadistas tem sofrido forte pressão de aumento nos preços, por indústrias e fornecedores. Itens básicos da mesa dos brasileiros, como o feijão e o arroz, registram inflação acumulada apenas neste ano, acima de 21%, comprometendo o poder de compra das famílias. Para o presidente do Sindicato da Alimentação de Bauru e Região, Antônio Carlos de Oliveira Matheus, o Pardal, a alta de preços dos alimentos deve ser analisada de uma forma completa.

Citado pelo dirigente sindical com provável comercialização em breve, para R$250 a arroba, na última sexta-feira, o preço comercializado no Estado de São Paulo, fechou em R$236,50. Pardal também faz uma grave denúncia, afirmando que grandes indústrias compram todo o estoque de produtores e acabam explorando o mercado.

As quatro indústrias citadas pelo presidente do Sindicato da Alimentação de Bauru e Região, Antônio Carlos de Oliveira Matheus, foram procuradas pela reportagem da 94FM. Bunge e LDC responderam, em nota, que por se tratar de um tema que envolve todo o setor, quem deve responder é a entidade que representa a indústria, no caso a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), enquanto a Cargil e a ADM, até o momento, não se manifestaram.

A reportagem também procurou os representantes da Abiove, que, em nota, “esclarece que não há controle de mercado ou qualquer estratégia em curso para elevar o preço ou interferir na oferta de soja e de seus derivados, farelo e óleo, no País. A soja é uma commodity altamente concorrencial, cujos preços são cotados internacionalmente sem qualquer controle das associadas da Abiove ou de outro agente em torno do preço de comercialização ou quantidades a serem adquiridas. A entidade informa também que o volume de soja processada no Brasil em 2020 é recorde e deve totalizar 44.600 milhões de toneladas, segundo estimativas da entidade, com a produção de cerca de 9 milhões de toneladas de óleo de soja, um crescimento de 3% em relação ao ano de 2019. Sendo que este derivado é consumido por meio do uso culinário doméstico e de restaurantes (food service), e na produção de biodiesel. O cenário de limitação na oferta do óleo de soja nas gondolas dos supermercados de algumas regiões do País é resultado de mudanças no consumo em meio a pandemia. O uso do produto por bares e restaurantes teve quebra brusca, sendo necessário buscar outras formas de comercialização que resultaram na ampliação das exportações. O inesperado aquecimento do consumo doméstico, no entanto, ampliou a busca pelo produto causando desequilíbrio entre a tradicional oferta e a demanda nacional pelo uso do óleo nas cozinhas das residências brasileiras, causando redução no abastecimento”.

A ABIA – Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, também foi procurada pela 94FM e ainda não se posicionou sobre a alta dos preços nos supermercados.


Opiniões dos leitores

Deixar um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.Campos obrigatórios marcados com *



[Não há estações de rádio no banco de dados]