Uma questão de autoestima

Por on 23 de maio de 2019

Bauru, como tantas outras cidades possui inúmeras deficiências. Independentemente de quem a administra, se tivermos um olhar crítico, encontraremos problemas.

É fato que a cidade tem pouco cuidado com a limpeza. Ainda temos parte da população que joga lixo na rua, em terrenos baldios, nas bocas-de-lobo, enfim, emporcalham a cidade. Por outro lado o executivo municipal tem dificuldade em atender todas as demandas, e quando fazemos o pente fino, nos decepcionamos.

Também temos problemas estruturais: a estação de tratamento de esgoto não anda, a maximização do uso do aeroporto é um desafio, o hospital das clínicas não foi entregue, a estação ferroviária foi no mínimo uma aquisição duvidosa, não fizemos a segunda alça do viaduto que liga a vila falcão a Avenida Nuno de Assis, não equacionamos o problema das enchentes notadamente na Avenida Nações Unidas e ainda temos o desafio na construção das marginais à Rodovia Marechal Rondon, principalmente no tocante a incluir um viaduto que cruze a rodovia na Avenida Cruzeiro do Sul.
A questão que se apresenta é: diante destes desafios, jogaremos a toalha? Tudo está perdido? Bauru não uma cidade para morarmos, criarmos nossos filhos, prosperarmos?

A resposta é: estamos com problema de autoestima. A tese de que os investimentos produtivos somente serão realidade na cidade se equacionarmos os gargalos existentes é parcialmente verdadeira. Por este prisma nenhuma empresa se instalaria em São Paulo capital, por exemplo. Já analisaram os problemas de infraestrutura de nossa capital?

Em rápida pesquisa na internet encontrei que em Ribeirão Preto, conhecida como a Califórnia brasileira, tem reclamações de mato alto, animais peçonhentos, lixo na zona leste daquele município. Também pesquisando na internet a cidade de São José do Rio Preto tem reclamações de seus moradores no tocante a vagas em creche. Ainda foi apurado que faltam medicamentos nos postos de saúde. Há muita reclamação em relação aos pedintes e ainda os buracos nas ruas.

Evidentemente a ideia é olhar o pior para justificar o ruim, mas imaginar que uma cidade será perfeita, que atenderá todas as demandas da população é no mínimo um reducionismo.

Se escolhemos Bauru para viver, precisamos valorizar o que tem de melhor e exigir, isso mesmo exigir, do setor público ações para equacionar seus graves problemas. Não precisamos falsear a realidade, mas olhar somente o lado vazio do copo é jogar contra a cidade.

Neste contexto me veio à mente a estória contada pelo Professor Marins, palestrante reconhecido nacionalmente, em que ele dizia que um sujeito tinha um cavalo e este falava aos amigos que este cavalo é quem lhe dava dinheiro e sucesso, enfim, era tudo de bom. Um de seus amigos invejosos quis comprar o cavalo. O sujeito demorou a dizer sim, mas quando o amigo lhe deu uma oferta irrecusável, vendeu. Passados seis meses, o amigo abordou o sujeito que vendeu o cavalo dizendo que ele não era nada daquilo que ele disse, ou seja, não lhe trouxe dinheiro e nem sucesso. O sujeito disse: se continuar falando mal de seu cavalo, ninguém vai comprar.

Mesmo admitindo que a cidade de Bauru tenha inúmeras deficiências, se não melhorarmos nossa autoestima, ninguém irá investir na cidade. Precisamos valorizar nosso “cavalo”.

Olhar um copo com água pela metade é ver somente o lado vazio, sem considerar que ele pode estar meio cheio, não nos levará a lugar algum. Se é aqui que queremos viver e criar nossos filhos é hora de dar mais valor a nossa cidade. Vale a reflexão.

Foto: Reprodução/Wikipédia


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