UNESP investiga suposta prática de assédio sexual por parte de professor

Escrito por em 02/07/2022

A Unesp de Bauru vai investigar suposto assédio sexual praticado por um professor. As denúncias vieram à tona através de cartazes expostos no campus, na sexta-feira (01/07). Nos banners, foram exibidas imagens de prints sobre supostas conversas em aplicativo de mensagens. Os textos, de conotação sexual, seriam entre o professor Marcelo Magalhães Bulhões e uma estudante.

O docente, que é do departamento de Ciências Humanas, nega as acusações e se diz vítima de calúnia. Ainda na sexta-feira, os cartazes foram retirados do campus por uma equipe de segurança da instituição, que se pronunciou via nota, que segue na íntegra:

A FAAC defende a dignidade humana e é pautada por princípios que visam garantir o respeito e convívio harmônico em quaisquer circunstâncias e locais, especialmente em sua ambiência acadêmico-laboral. Nesse sentido, afirma que não medirá esforços para colaborar com as soluções de qualquer fato oficialmente demandado, tomando as medidas cabíveis, seguindo os protocolos administrativos com ética, responsabilidade e transparência”, informou a nota técnica.

A diretora da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (FAAC) e presidente do grupo administrativo do campus, Fernanda Henrique, disse que uma nova sindicância administrativa deve ser aberta. Questionada sobre o andamento das aulas ministradas pelo professor, a diretora respondeu que devem ser suspensas.

A Unesp ainda relembrou que a formalização de denúncias pode ser feita pela Ouvidoria com garantia do anonimato para evitar a exposição das vítimas. Entre as medidas tomadas até então pela Unesp, estão as ações de combate à violência e ao assédio:

Guia contra assédio;

Aplicativo Unesp Mulheres;

Protocolo Institucional de Acolhimento às Vítimas de Violência Sexual”

O professor também se defendeu, por meio de nota:

“Foi com estarrecimento que fiquei sabendo que cartazes foram afixados no campus com teor acusatório a mim. Estou ainda chocado. De modo semelhante, foi com enorme e desagradável surpresa que em 2019, em postagem no Facebook, recebi uma acusação de assédio. Naquela altura, ao tomar conhecimento que um coletivo da Unesp havia feito acusações com esse teor, solicitei uma reunião com o grupo de alunas. Elas recusaram o diálogo. Solicitei essa reunião por, naquela altura, estar totalmente perplexo diante das acusações. Uma comissão de sindicância foi, então, constituída pela FAAC – Unesp. Após um processo de investigação, o arquivamento do processo se fez precisamente por afiançar que nenhuma ação do teor de assédio foi por mim cometida. No curso do processo, aliás, recebi depoimentos de incondicional apoio e elogio ao meu profissionalismo, escrito por dezenas de alunas que foram minhas orientandas (mestrado, doutorado e iniciação científica). Portanto, só posso afirmar que estou absolutamente estarrecido diante de uma situação que julgo absurda. Os cartazes, aliás, foram anonimamente forjados e afixados no campus. Sou docente da Unesp desde 1994, ou seja, trata-se de 28 anos de trabalho em sala de aula, tendo atuado ao lado de milhares de alunos, sem que qualquer mínimo indício concreto do que se pode ser classificado como assédio possa ser apontado. Atingem-me do modo mais vil. Entendo que legítimas e importantes demandas da atualidade – luta contra o racismo, movimento feminista – têm produzido uma mobilização de empatia diante de causas importantes. Nesse caso, todavia, estou sendo vítima de calúnia, cuja propagação em tempos digitais é implacável”.

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